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Lênin: "Como Organizar a Emulação?"

Atualizado: 24 de nov. de 2022

V. I. Lénine

24-27 de Dezembro de 1918/6-9 de Janeiro de 1918



 

Os escritores burgueses escreveram e escrevem montanhas de papel, elogiando a concorrência, a iniciativa privada e outros magníficos valores e encantos dos capitalistas e da ordem capitalista. Acusavam-se os socialistas de não quererem compreender o significado destes valores e de não terem em conta a «natureza humana». Mas, na realidade, o capitalismo substituiu há muito a pequena produção mercantil independente, em que a concorrência podia, em proporções mais ou menos amplas, desenvolver o espírito empreendedor, a energia, a iniciativa ousada, pela grande e muito grande produção fabril, pelas empresas por acções, pelos consórcios e outros monopólios. A concorrência significa, sob tal capitalismo, o esmagamento inauditamente feroz do espírito empreendedor, da energia, da iniciativa ousada da massa da população, da sua gigantesca maioria, de noventa e nove por cento dos trabalhadores, significa também a substituição da emulação pela fraude financeira, pelo nepotismo, pelo servilismo nos degraus mais elevados da escala social. O socialismo não só não extingue a emulação como, pelo contrário, cria pela primeira vez a possibilidade de a aplicar em escala verdadeiramente ampla, verdadeiramente de massas, de arrastar verdadeiramente a maioria dos trabalhadores para o campo de um trabalho onde podem revelar-se, desenvolver as suas capacidades, mostrar os talentos que no povo são uma fonte inesgotável e que o capitalismo esmagava, sufocava e estrangulava aos milhares e aos milhões. A nossa tarefa agora, quando um governo socialista está no poder, é organizar a emulação. Os lacaios e os parasitas da burguesia pintaram o socialismo como uma caserna uniforme, estereotipada, monótona, cinzenta. Os lacaios do saco de dinheiro, os sequazes dos exploradores — os senhores intelectuais burgueses — «meteram medo» com o socialismo ao povo, condenado precisamente sob o capitalismo ao presídio e à caserna de um trabalho desmedido e monótono, de uma vida semifaminta, de pesada miséria. A confiscação das terras dos latifundiários, a implantação do controlo operário, a nacionalização dos bancos constituem o primeiro passo para a libertação dos trabalhadores deste presídio. A nacionalização das fábricas, a organização obrigatória de toda a população em sociedades de consumo, que serão ao mesmo tempo sociedades de venda de produtos, o monopólio do Estado sobre o comércio dos cereais e de outros artigos necessários serão os passos seguintes. Só agora é criada a possibilidade de manifestar amplamente, de um modo verdadeiramente de massas, o espírito empreendedor, a emulação e a iniciativa ousada. Cada fábrica onde o capitalista foi posto na rua ou, pelo menos, dominado por um verdadeiro controlo operário, cada aldeia onde foi corrido o latifundiário, explorador e tomadas as suas terras, é agora, e só agora, um campo onde o homem de trabalho pode revelar-se, endireitar um pouco as costas, pode erguer-se, pode sentir-se um homem. Pela primeira vez depois de séculos de trabalho para os outros, de trabalho forçado para os exploradores, existe a possibilidade de trabalhar para si mesmo, e de trabalhar apoiando-se em todas as conquistas da técnica e da cultura modernas. Naturalmente, esta substituição do trabalho forçado pelo trabalho para si próprio, a maior na história da humanidade, não pode realizar-se sem atritos, dificuldades, conflitos, sem violência em relação aos parasitas inveterados e seus lacaios. A este respeito, nenhum operário tem ilusões: temperados por longos e longos anos de trabalhos forçados para os exploradores, de inúmeros vexames e ultrajes da parte deles, temperados pelas duras necessidades, os operários e os camponeses pobres sabem que é preciso tempo para quebrar a resistência dos exploradores. Os operários e camponeses não estão de modo algum contaminados pelas ilusões sentimentais dos senhores intelectuaizinhos, de toda essa porcaria dos novojiznistas e outros, que «gritaram» contra os capitalistas até enrouquecer, que «gesticularam» contra eles, que os fulminaram, para logo começarem a chorar e a portar-se como cãezinhos espancados quando se chega aos factos, à realização das ameaças, à execução na prática do afastamento dos capitalistas. A grande substituição do trabalho forçado pelo trabalho para si próprio, pelo trabalho organizado planificadamente numa escala gigantesca, nacional (e, em certa medida, também internacional, mundial) exige também — além das medidas «militares» de repressão da resistência dos exploradores — imensos esforços organizativos, organizadores, por parte do proletariado e dos camponeses pobres. A tarefa organizativa entrelaça-se num todo indissolúvel com as tarefas da implacável repressão militar dos escravistas (capitalistas) de ontem e a matilha dos seus lacaios - os senhores intelectuais burgueses. Nós sempre fomos os organizadores e os chefes, nós comandávamos — assim falam e pensam os escravistas de ontem e os seus agentes entre a intelectualidade — queremos continuar assim, não nos poremos a escutar o «povinho», os operários e camponeses, não nos submeteremos a eles, converteremos os conhecimentos em armas para defender os privilégios do saco de dinheiro e o domínio do capital sobre o povo. Assim falam, pensam, agem os burgueses e os intelectuais burgueses. Do ponto de vista interesseiro compreende-se o seu comportamento: os sequazes e lambe-botas dos latifundiários feudais, os padres, os mangas-de-alpaca, os funcionários do tipo descrito por Gógol, os «intelectuais» que odiavam Belínski, também se separaram «dificilmente» do regime de servidão. Mas a causa dos exploradores e da sua criadagem intelectual é uma causa sem esperança. A sua resistência está a ser quebrada pelos operários e pelos camponeses — infelizmente de modo ainda insuficientemente firme, decidido e implacável — e será quebrada. «Eles» pensam que o «povinho», os «simples» operários e camponeses pobres serão incapazes de cumprir a grande tarefa de carácter organizativo, verdadeiramente heróica no sentido histórico-mundial da palavra, que a revolução socialista pôs sobre os ombros dos trabalhadores. «Não conseguireis passar sem nós» — consolam-se os intelectuais habituados a servir os capitalistas e o Estado capitalista. Os seus insolentes cálculos não se confirmarão: há pessoas instruídas que começam agora a separar-se, passando para o lado do povo, para o lado dos trabalhadores, ajudando a quebrar a resistência dos lacaios do capital. E há muitos organizadores de talento no campesinato e na classe operária, e estes talentos apenas começam a ter consciência de si, a despertar, a aspirar ao grande trabalho vivo e criador, a empreender independentemente a construção da sociedade socialista. Agora uma das mais importantes tarefas, senão a mais importante, é desenvolver tão amplamente quanto possível esta iniciativa independente dos operários e de todos os trabalhadores e explorados em geral na obra criadora do trabalho organizativo. Custe o que custar é preciso destruir o velho preconceito absurdo, selvagem, infame e odioso, de que só as chamadas «classes superiores», só os ricos ou os que passaram pela escola das classes ricas, podem administrar o Estado, dirigir a construção organizativa da sociedade socialista. Isto é um preconceito. É mantido por uma rotina podre e fossilizada, por um hábito servil e, ainda mais, pela imunda cupidez dos capitalistas, interessados em administrar saqueando e saquear administrando. Não. Os operários não esquecerão nem por um minuto sequer que necessitam da força do saber. O zelo invulgar que os operários manifestam em se instruir, que manifestam exactamente agora, demonstra que nesse sentido não há nem pode haver erro no seio do proletariado. Mas o trabalho de organização está também ao alcance do operário e do camponês comum, que sabe ler e escrever, que conhece os homens e tem experiência prática. Entre o «povinho», de que falam com desdém e arrogância os intelectuais burgueses, há uma massa de pessoas destas. Na classe operária e no campesinato há uma fonte ainda intacta e uma fonte riquíssima desses talentos. Os operários e os camponeses são ainda «tímidos», ainda não estão habituados à ideia de que são eles agora a classe dominante, ainda são insuficientemente decididos. A revolução não podia criar de repente estas qualidades em milhões e milhões de homens obrigados pela fome e pela necessidade a trabalhar debaixo de chicote toda a vida. Mas a força, a vitalidade, a invencibilidade da Revolução de Outubro de 1917 consiste precisamente em que desperta estas qualidades, quebra todos os velhos obstáculos, rompe as velhas peias, conduz os trabalhadores para o caminho da criação independente da nova vida. O registo e o controlo — eis a principal tarefa económica de cada Soviete de deputados operários, soldados e camponeses, de cada sociedade de consumo, de cada associação ou comité de abastecimento, de cada comité de fábrica ou órgão de controlo operário em geral. A luta contra o velho hábito de encarar a medida do trabalho e os meios de produção do ponto de vista do homem escravizado: como libertar-se de um peso supérfluo, como arrancar um bocado à burguesia — esta luta é necessária. Já começaram esta luta os operários avançados e conscientes, que dão uma resposta decidida aos recém-chegados ao meio fabril, que eram especialmente numerosos durante a guerra, e que gostariam agora de tratar a fábrica do povo, a fábrica que passou para a propriedade do povo, tal como antes, com um único pensamento: «arrancar o maior bocado e escapar-se». Tudo quanto existe de consciente, honesto e pensante no campesinato e nas massas trabalhadoras se erguerá nessa luta ao lado dos operários avançados. O registo e o controlo, se forem realizados pelos Sovietes de deputados operários, soldados e camponeses como supremo poder de Estado, ou por indicação, por mandato deste poder — registo e controlo em toda a parte, geral, universal — registo e controlo sobre a quantidade de trabalho e sobre a distribuição dos produtos, nisto reside a essência da transformação socialista, uma vez criado e assegurado o domínio político do proletariado. O registo e o controlo, que são necessários à transição para o socialismo, só podem ser obra das massas. Só uma colaboração voluntária e conscienciosa das massas de operários e camponeses, realizada com entusiasmo revolucionário, no registo e no controlo dos ricos, dos vigaristas, dos parasitas, dos arruaceiros, pode vencer estas sobrevivências da maldita sociedade capitalista, esses detritos da humanidade, esses membros irremissivelmente podres e mortos, esse contágio, essa peste, essa chaga que o capitalismo deixou em herança ao socialismo. Operários e camponeses, trabalhadores e explorados! A terra, os bancos e as fábricas passaram para a propriedade de todo o povo! Empreendei vós próprios o registo e o controlo da produção e da distribuição dos produtos - nisto e só nisto está o caminho para a vitória do socialismo, a garantia da sua vitória, a garantia da vitória sobre toda a exploração, sobre toda a miséria e necessidade! Pois na Rússia o trigo, o ferro, a madeira, a lã, o algodão e o linho chegarão para todos, desde que se distribuam correctamente o trabalho e os produtos, desde que se estabeleça um controlo de todo o povo eficaz e prático desta distribuição, desde que se vença não só na política, mas também na vida económica quotidiana os inimigos do povo: os ricos e os seus sequazes, e depois os vigaristas, os parasitas e os arruaceiros. Nenhuma piedade para esses inimigos do povo, para os inimigos do socialismo, para os inimigos dos trabalhadores. Guerra de morte aos ricos e aos seus sequazes, aos intelectuais burgueses, guerra aos vigaristas, aos parasitas e aos arruaceiros. Uns e outros, os primeiros e os últimos, são irmãos gémeos, são rebentos do capitalismo, filhinhos da sociedade senhorial e burguesa, de uma sociedade em que um punhado pilhava o povo e escarnecia do povo - duma sociedade em que a necessidade e a miséria empurravam milhares e milhares de pessoas para o caminho da vadiagem, da venalidade, da vigarice, do esquecimento da dignidade humana — duma sociedade que incutia inevitavelmente nos trabalhadores a seguinte aspiração: fugir, ainda que com enganos, da exploração, esquivar-se, livrar-se, ainda que por um momento, de um trabalho odioso, arrancar o pedaço de pão de qualquer modo, a qualquer preço, para não se sentir e aos seus subalimentado. Os ricos e os vigaristas são as duas faces de uma mesma medalha, são as duas categorias principais de parasitas alimentados pelo capitalismo, são os principais inimigos do socialismo, estes inimigos devem ser submetidos à particular vigilância de toda a população, é preciso dar cabo deles implacavelmente à menor infracção às regras e às leis da sociedade socialista. Toda a fraqueza, toda a vacilação, todo o sentimentalismo constituiriam neste aspecto o maior crime contra o socialismo. Para proteger a sociedade socialista destes parasitas é preciso organizar o registo e o controlo da quantidade de trabalho, da produção e distribuição dos produtos, registo e controlo de todo o povo e assegurado voluntária e energicamente, com entusiasmo revolucionário, por milhões e milhões de operários e camponeses. E para organizar este registo e controlo, completamente acessíveis, completamente ao alcance das forças de todo o operário e de todo o camponês honesto, sensato e hábil, é preciso despertar os seus próprios talentos de organizadores, que nascem entre eles, é preciso suscitar neles — e organizar à escala nacional — a emulação no terreno dos êxitos de organização, é preciso que os operários e camponeses compreendam claramente a diferença entre o conselho necessário do homem instruído e o controlo necessário do «simples» operário e camponês sobre a incúria, tão habitual nas pessoas «instruídas». Esta incúria, negligência, desleixo, falta de cuidado, pressa nervosa, tendência para substituir a acção pela discussão, o trabalho pelas conversas, tendência para empreender tudo e nada levar até ao fim constituem um dos traços das «pessoas instruídas», que não nasce de modo nenhum da sua má natureza e menos ainda da maldade, mas de todos os hábitos de vida, das condições do seu trabalho, do esgotamento, da separação anormal entre o trabalho intelectual e o físico, etc, etc. Entre os erros, insuficiências, lapsos da nossa revolução, desempenham não pequeno papel os erros, etc, nascidos destas tristes particularidades — inevitáveis neste momento — dos intelectuais do nosso meio e da ausência de um controlo suficiente por parte dos operários sobre o trabalho de organização dos intelectuais. Os operários e os camponeses são ainda «tímidos», mas devem livrar-se disto e, indubitavelmente, livrar-se-ão disto. Não é possível prescindir do conselho, das directivas das pessoas instruídas, dos intelectuais, dos especialistas. Todo o operário e camponês minimamente sensato o compreende perfeitamente, e os intelectuais do nosso meio não podem queixar--se de insuficiente atenção e estima fraternal por parte dos operários e camponeses. Mas o conselho e a directiva são uma coisa, e outra a organização do registo e do controlo práticos. Os intelectuais dão com frequência os mais admiráveis conselhos e directivas, mas revelam-se de modo ridículo, absurdo e vergonhoso, «manetas», incapazes de aplicar esses conselhos e directivas, de aplicar um controlo prático para que a palavra se transforme em acção. Eis onde em caso algum se pode prescindir da ajuda e do papel dirigente dos organizadores práticos saídos do «povo», dos operários e camponeses trabalhadores. «Não são os deuses que cozem a louça de barro» — esta é uma verdade que os operários e os camponeses têm de ter bem presente. Devem compreender que agora tudo reside na prática, que chegou precisamente o momento histórico em que a teoria se transforma em prática, se vivifica pela prática, se corrige pela prática, se comprova pela prática, e em que são particularmente verdadeiras as palavras de Marx: «cada passo do movimento prático é mais importante que uma dúzia de programas»(N240); qualquer passo para dominar prática e realmente, para limitar as possibilidades, para submeter ao registo e à vigilância os ricos e os vigaristas é mais importante que uma dúzia de admiráveis raciocínios sobre o socialismo. Porque «a teoria, meu amigo, é cinzenta mas a árvore da vida é eternamente verde»(N241). É preciso organizar a emulação dos organizadores práticos dos operários e camponeses uns com os outros. É preciso combater quaisquer estereótipos e quaisquer tentativas para estabelecer a uniformidade a partir de cima, para que se inclinam tanto os intelectuais. Nem o estereótipo nem a uniformidade estabelecidos a partir de cima têm nada a ver com o centralismo democrático e socialista. A unidade no básico, no fundamental, no essencial, não é violada, antes é garantida pela variedade nos pormenores, nas particularidades locais, nos métodos de abordar as coisas, nos meios de aplicação do controlo, nas vias de exterminar e neutralizar os parasitas (os ricos e os vigaristas, os relaxados e os intelectuais histéricos, etc, etc). A Comuna de Paris mostrou um grande modelo de combinação da iniciativa, da independência, da liberdade de movimento, da energia do impulso vindo de baixo — com um centralismo voluntário alheio aos estereótipos. Os nossos Sovietes seguem o mesmo caminho. Mas ainda são «tímidos», ainda não se desenvolveram, ainda não «entraram» no seu trabalho novo, grande e criador de construção de uma ordem socialista. É preciso que os Sovietes lancem mãos à obra com mais audácia e iniciativa. É preciso que cada «comuna» — cada fábrica, cada aldeia, cada sociedade de consumo, cada comité de abastecimento - actue em emulação uns com os outros, como organizadores práticos do registo e do controlo do trabalho e da distribuição dos produtos. O programa deste registo e controlo é simples, claro e compreensível para todos: que cada um tenha pão, que todos usem calçado sólido e boa roupa, tenham uma casa quente, trabalhem conscienciosamente e que nem um só vigarista (incluindo os que fogem do trabalho) passeie em liberdade, mas esteja na prisão ou cumpra uma pena de trabalhos forçados do tipo mais duro, que nenhum rico, que infrinja as regras e leis do socialismo, possa escapar à sorte dos vigaristas, que por justiça deve ser a do rico. «Quem não trabalha não come» — eis o mandamento prático do socialismo. Eis o que é preciso organizar na prática. Eis de que êxitos práticos se devem orgulhar as nossas «comunas» e os nossos organizadores operários e camponeses e, ainda mais, intelectuais (ainda mais, pois eles estão muito habituados, demasiado habituados a orgulharem-se das suas indicações e resoluções gerais). Milhares de formas e métodos de registo e de controlo práticos sobre os ricos, os vigaristas e os parasitas devem ser elaborados e comprovados praticamente pelas próprias comunas, pelas pequenas células, no campo e na cidade. A variedade é aqui uma garantia de vitalidade, uma garantia do êxito na obtenção do fim comum e único: limpar a terra da Rússia de todos os insectos nocivos, das pulgas — vigaristas, dos percevejos — ricos, etc, etc. Num lugar, metem na cadeia uma dezena de ricos, uma dúzia de vigaristas, meia dúzia de operários que fogem ao trabalho (do mesmo modo vigarista como fogem do trabalho em Petrogrado numerosos compositores tipográficos, principalmente nas tipografias do partido). Noutro, põem-nos a limpar as latrinas. Num terceiro, fornecem-lhes, ao sair do cárcere, cadernetas amarelas para que todo o povo, até que eles se emendem, os vigie como gente prejudicial. No quarto, fuzilam imediatamente um em cada dez culpados de parasitismo. No quinto, imaginam combinações de vários meios e vias, por exemplo, e recorrem à liberdade condicional dos ricos, dos intelectuais burgueses, dos vigaristas e dos vadios susceptíveis de rápida correcção. Quanto mais variada, tanto melhor, mais rica será a experiência comum, mais seguro e rápido será o êxito do socialismo, mais facilmente a prática elaborará - pois só a prática pode elaborar - os melhores métodos e meios de luta. Em que comuna, em que bairro de uma grande cidade, em que fábrica, em que aldeia não há famintos, não há desempregados, não há parasitas ricos, não há canalhas lacaios da burguesia, sabotadores, que a si mesmos se chamam intelectuais? onde se fez mais para aumentar a produtividade do trabalho? para construir casas novas e boas para os pobres, para os instalar nas casas dos ricos, para fornecer de uma maneira regulada uma garrafa de leite a cada criança das famílias pobres? — eis em que questões se deve desenvolver a emulação das comunas, das comunidades, das associações e cooperativas de consumo e de produção, dos Sovietes de deputados operários, soldados e camponeses. Este é o trabalho em que devem destacar-se e subir na prática na administração do Estado os talentos organizativos. No povo há muitos. Mas estão esmagados. É preciso ajudá-los a desenvolver-se. Eles, e só eles, podem, com o apoio das massas, salvar a Rússia e salvar a causa do socialismo.

"A emulação socialista", 1929. Por Dmitriy Stakhievich Moor


Fonte: marxists.org Baixe o artigo e leia em PDF, por PCP:

Como_organizar_a_Emulação,Lenin
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Notas de rodapé:

(N240) K. Marx, Carta a Wihelm Bracke de 5 de Maio de 1875 (In Karl Marx / Friederich

Engels, Werke, Bd. 19, S.13 (N241) Lénine cita palavras proferidas por Mefistófeles na tragédia Fausto de J.W. Goethe (parte I, cena 4ª)


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