Nota Política: ABAIXO A AGRESSÃO IMPERIALISTA NA VENEZUELA: ORGANIZAR O POVO PARA RESPONDER À OFENSIVA ESTADUNIDENSE AFIRMANDO A POSIÇÃO COMUNISTA.
- Educação Revolucionária
- 4 de jan.
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“o maior perigo, neste sentido, são as pessoas que não querem compreender que a luta contra o imperialismo é uma frase oca e falsa se não for indissoluvelmente ligada à luta contra o oportunismo” Lênin, em “O Imperialismo, Estágio Superior do Capitalismo”.
Na madrugada de 3 de janeiro de 2026, o imperialismo estadunidense lançou bombas em ataque direto ao território venezuelano e promoveu o sequestro em sua residência do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa e primeira dama, Cilia Flores, numa ação militar aberta contra a soberania e a autodeterminação do povo venezuelano. Essa operação militar, chamada de “Operação Resolução Absoluta”, focalizou os ataques na capital do país(Caracas) e já resulta em dezenas de mortes de civis e militares. A agressão revela, no geral, o acirramento do conflito interimperialista mundial em curso, e o declínio relativo das potências imperialistas ocidentais na disputa, que já não conseguem sustentar sua hegemonia na América Latina somente por meios políticos e econômicos contra a expansão da influência imperialista chinesa na região e recorrem, cada vez mais, à intervenção militar direta. Trata-se do primeiro ataque militar de uma potência estrangeira contra um país da América do Sul desde o século XIX, inaugurando a nova tática imperialista dos EUA após a derrota da tática anterior contra a Rússia na guerra da Ucrânia.
A tendência que podemos afirmar é que esta agressão na América Latina e Caribenha deve persistir e aumentar, conforme se desenvolve o conflito interimperialista e os interesses dos EUA para sustentar sua posição na cadeia imperialista mundial.
A situação também demonstra a falência da saída proposta pelo “bolivarianismo” que caminhou para a conciliação de classes com a burguesia nacional e internacional e o reformismo, na tentativa de conter as crises econômicas e políticas que vêm acompanhando o país. Sabemos que somente o proletariado venezuelano poderá reagir efetivamente ao golpe em curso e caminhar para um processo revolucionário que substitua também o atual governo para uma gestão dos trabalhadores, capaz de resolver a crise pelo ponto de vista proletário da revolução e do socialismo, único meio capaz de conter as contradições germinadas pelo próprio modo de produção capitalista e pelo reformismo e conciliação de classes do governo Maduro.
Essa nova conjuntura também convoca o proletariado no Brasil a avançar em sua organização e luta independente, intensificar o internacionalismo proletário, fortalecer a solidariedade entre os povos e aprofundar a consciência de classe como condição necessária à libertação de todo o continente frente ao capital.
É necessário expressar o conflito interimperialista a luz do materialismo dialético e da luta de classes, desvelar a hipocrisia e alinhamento das mídias hegemônicas — especialmente internas! — ao imperialismo estadunidense, expressar a traição ao proletariado venezuelano por parte do governo burguês de Lula em todo este período de acordo aos interesses estadunidenses, elevando a consciência coletiva da classe trabalhadora no Brasil.
O interesse do imperialismo estadunidense no petróleo e nos recursos estratégicos venezuelanos não é circunstancial: expressa a lógica estrutural do capitalismo em sua fase imperialista, marcada pela exportação de capitais, pela disputa por matérias-primas e pela coerção político-militar sobre as nações dependentes. Trata-se de subordinar economias inteiras às necessidades do capital financeiro internacional, garantindo recursos industriais e energéticos indispensáveis à reprodução de um sistema em crise e à manutenção histórica da dominação imperialista sobre o continente. A invasão militar demarca um período de crise generalizada do imperialismo, que vê entraves na expansão do seu capital e tem de recorrer da força para reproduzir seus interesses econômicos: no caso da Venezuela, vemos não só um interesse nacionalista de setores da burguesia venezuelana em manter sob seu controle as reservas de petróleo hoje nacionalizadas, mas uma constante aproximação e dependência do Estado e da classe dominante do país aos interesses do imperialismo chinês em ascenção. A invasão à Venezuela é uma tentativa dos EUA em manter sua hegemonia frente à crescente crise, resultando na extensão da política à guerra aberta em nome dos interesses do capital.
A atual conjuntura revela lições importantes para os povos oprimidos de todo o mundo, como diria Che Guevara: não se pode confiar no imperialismo, nem um tantinho de nada! — seja ele o clássico ianque, ou o “imperialismo do bem”, como defendem os oportunistas defensores do “socialismo de mercado” e da tese do mundo multipolar. O proletariado deve reafirmar sua independência política e, juntamente com seus aliados, enfrentar a dominação imperialista a partir da luta do proletariado contra a burguesia e seus representantes. A luta contra o imperialismo tem seu fim último na luta pela revolução socialista, e ela não se confunde com quaisquer ilusões reformistas ou de alianças milagrosas com nossos inimigos de classe.
É fundamental compreender que o destino não está dado: ele está em disputa. Cabe a nós compreender o real em seu movimento contraditório, intervir conscientemente nessas contradições e fazer avançar o lado proletário — a classe explorada universal, única capaz de libertar a história da sociedade de classes. Hoje, o povo venezuelano está nas ruas com a firmeza necessária para defender seu país. O povo cubano também se mobiliza, consciente de que a defesa de sua revolução exige resistência em toda a América. Trabalhadores de todo o mundo saem às ruas em manifestações contra o ataque estadunidense e o desrespeito da soberania venezuelana. Que avance a revolução e o socialismo em nosso continente. A América Latina pode e deve tornar-se a cova histórica do imperialismo ianque — não por retórica, mas pela luta consciente, organizada e internacionalista do proletariado revolucionário.
Momentos como este constituem janelas históricas que exigem ação organizada. Diante do quadro atual, o proletariado revolucionário brasileiro tem tarefas imediatas. Compreendamos então nosso papel neste momento:
Ocupar as ruas
Levar a denúncia às praças, fábricas, universidades e bairros. Organizar atos, panfletagens e protestos em frente a embaixadas e símbolos do poder imperialista. Registrar e divulgar toda ação de solidariedade. Demonstrar que, em nosso solo, há resistência organizada e internacionalismo ativo.
Articular as lutas, do regional ao internacional
Vincular a ofensiva imperialista às lutas cotidianas do proletariado: contra a carestia, o desemprego, a expropriação e a repressão. Evidenciar que o mesmo sistema que bombardeia povos é aquele que explora a classe trabalhadora aqui. Estabelecer vínculos orgânicos com organizações revolucionárias de outros países, avançando em respostas coordenadas.
Fortalecer as organizações proletárias
Este momento de crise aguda exige unidade de ação e organizações de classe fortalecidas. É necessário impulsionar sindicatos combativos, coletivos populares - qualquer manifestação de auto-organização independente dos trabalhadorese organizações revolucionárias. Somente a organização e luta independente da classe trabalhadora pode conter o conflito interimperialista e abrir caminho à transformação revolucionária.
Desmascarar a mídia hegemônica e seu alinhamento à burguesia imperialista estrangeira e a burguesia entreguista interna
Neste exato momento, a mídia hegemônica brasileira — enquanto aparelho ideológico da burguesia interna vira-lata do imperialismo — mascara os fatos, distorce a realidade e mobiliza recursos retóricos para conter a ação popular e justificar a pilhagem dos recursos latino-americanos. Devemos denunciar esse papel, aproveitar a tentativa de justificar o injustificável e utilizar e desenvolver nossos meios próprios e redes militantes para difundir informações, análises de classe e a voz dos povos agredidos. Fazer da comunicação um instrumento consciente da luta política.
Estudar e analisar o real
Analisar, com as ferramentas do materialismo dialético, as causas profundas da agressão imperialista: a crise estrutural do capital, a disputa por recursos estratégicos e as contradições do sistema imperialista mundial. Submeter posições à crítica e superá-las coletivamente. Compreender o real é condição indispensável para transformá-lo.
Aprofundar a radicalidade e a consciência de classe, combatendo o reformismo e o oportunismo
Aproveitar essa contradição explosiva para elevar o nível político do proletariado. Denunciar o reformismo e oportunismo, as oscilações pequeno-burguesas em nosso campo, e às ilusões de conciliação de classe pregadas como solução aos trabalhadores. Identificar, no próprio movimento do real, como o socialismo e o internacionalismo proletário constituem a única saída histórica frente à barbárie imperialista. É hora de fortalecer o movimento comunista e a independência política da classe trabalhadora em escala internacional.
Afirmamos toda solidariedade ao povo venezuelano e apoio a sua resistência aos asquerosos tentáculos do imperialismo estadunidense. A mensagem de todos os povos oprimidos e explorados do mundo deve ser uma só:
Proletários de todo o mundo: uni-vos — organizar, mobilizar, vencer!


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