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Carta à Reconstrução Revolucionária: O que é o Educação Revolucionária e Pedido de Adesão

Coletivo Educação Revolucionária

27/03/2024


Sumário:


Obs: Logo disponibilizaremos a opção de áudio-leitura

 

1 — Introdução — A atuação digital


Com o advento das redes sociais e dos espaços digitais (como as comunidades), vemos uma tendência maior de permanência nesses espaços por parte dos trabalhadores (principalmente dos mais jovens), assim, surge a necessidade dos comunistas também entenderem a atuação digital como fundamental para sua Agitação e Propaganda, tendo a compreensão de que a internet é um espaço ocupado por trabalhadores e que, por isso, também são ambientes de disputa que devemos ocupar. 


O antigo PCB não sabia reconhecer na atuação digital um polo para a disputa da consciência da classe, negligenciando todo tipo de iniciativa militante e postergando a necessidade da centralização. Dessa forma, toda tentativa de aproximação que realizamos durante o ano de 2023 foi desdenhada pelo Partido. Esse tipo de negação dos espaços digitais como instrumento político de Agitprop não pode ser entendido senão como uma expressão retrógrada, coisa que não pode mais perdurar. 


Nos últimos tempos diversas iniciativas individuais surgiram na internet, como por exemplo o trabalho dos camaradas Jones Manoel e  Gustavo Gaiofato no Youtube e o trabalho de diversas páginas marxistas nas redes sociais. Essas experiências puderam nos fornecer diversos acúmulos sobre a atuação digital, que ainda hoje é amadora e descentralizada. Assim, não podemos limitar a formação do jornal impresso e as páginas do partido nas redes, mas debater e construir uma estrutura de imprensa partidária que permita a centralização de todos os projetos de agitadores e propagandistas no espaço digital, como desenvolver nossos próprios.


Superar  a artesanalidade do trabalho digital não é uma tarefa difícil, precisamos apenas saber coordená-la. Temos diversos acúmulos de muitos militantes sobre essa área, precisamos centralizar esses acúmulos e pensar numa estratégia de atuação digital concreta. Precisamos superar o falso debate de Jornal partidário x agitprop digital, e compreender que os dois têm objetivos diferentes, por mais que caminham juntos. Somente um jornal político para todo o Brasil pode servir como um organizador coletivo do nosso trabalho partidário e um fio condutor da nossa agitação e propaganda e trabalho de base. Portanto, somente um trabalho de agitação e propaganda digital hoje coordenado e centralizado pode gerar resultados massivos para o partido e permitir que cheguemos em diversos setores nacionais.


2 — Breve histórico do Coletivo e nossas tentativas de se aproximar do PCB


O Educação Revolucionária surgiu a partir de um servidor de Discord focado em ser uma espécie de “grupo de estudos marxista-leninista”, o “Bolchevegan” (Trocadilho pois a figura a frente do Bolchevegan, o camarada Douglas, é vegana). Nesse servidor organizamos leituras coletivas e debates e tínhamos sessões que disponibilizavam materiais de estudo. Diversas pessoas se organizaram incentivadas pelos trabalhos no servidor. Frente a esta necessidade de organizar materiais de estudo da teoria marxista-leninista, também como a dificuldade experienciada pelo camarada Douglas em saber conduzir sua introdução à leitura dos clássicos, ao estudo da teoria, o camarada conheceu a plataforma WIX de criação de sites. E foi então a partir disto que teve a ideia de criar um site com esse foco, ao qual chamou de Educação Revolucionária


Assim, com o apoio do camarada João Lucas ‘Samurai’ — fundamental na disputa pela defesa da adesão à Reconstrução Revolucionária —, em 29 de abril de 2022 o site era lançado pelos camaradas, sem imaginar a magnitude do seu vir-a-ser no futuro.


O site — que posteriormente começamos a chamar de projeto — tinha como objetivo ser um espaço de formação teórica, esse era seu único e principal objetivo. Atualmente, o site publica artigos de autores marxistas focando em formação teórica, disponibilizando assim uma biblioteca de PDFs gratuitos e têm um antigo espaço de tribuna  para os debates do coletivo, mas principalmente sua sessão de “Formação”, onde são desenvolvidos os módulos de formação teórica. 


Com o tempo o ER precisou desenvolver um trabalho de agitação e propaganda digital para poder socializar esses conteúdos e estender seu trabalho político. Dando forma ao nossos perfis de agitação no Instagram, Twitter, Tik Tok, sempre com o foco de redirecionar os alvos para o site e, futuramente, ao nosso servidor do Discord (a comunidade). Sendo este o espaço onde realizamos atividades de propaganda e formação teórica.


A partir daqui, já não fazia mais sentido que o Educação Revolucionária fosse apenas um projeto “de garagem”, amador, e passamos então a debater no final de 2022 a adoção do Centralismo Democrático e do horizonte de profissionalização do nosso trabalho. Síntese esta que nos fez se reconhecer e assumir meses depois uma estrutura de um Coletivo, desenvolvendo também um Código de Conduta, documento semelhante a um estatuto, que vai ser continuamente desenvolvido daqui em diante. Também se esclarecemos quanto a nossa linha e adotamos a máxima que referencia e define nosso trabalho até então: “Agitar, Propagandear, Radicalizar, Organizar”.


Já em Abril de 2023, o camarada Douglas, na época recentemente organizado no PCB, introduziu o debate da construção do Partido e de uma possível adesão ao PCB. E assim começava-se uma série de tentativas frustradas de estabelecer contato com a direção do partido. Apoiados por camaradas de SJC e do ABC,  a mediação foi iniciada pelo camarada Raul, que fez uma reunião com o camarada Douglas e garantiu que o repasse havia sido entregue a direção do partido. Porém, mesmo com as tentativas de contato do camarada, não obtivemos retorno. 


Logo em seguida, próximo da cisão, o camarada Gabriel Landi tentou nos ajudar com essa aproximação, onde buscamos marcar uma reunião, mas foi ocupado pelas perseguições políticas realizadas pelo Comitê Central do antigo PCB e depois pela cisão. Com isso, organizamos um grupo para uma reunião entre o Conselho do ER (instância de direção do coletivo) e os camaradas Landi e Godim, representando a então surgida Reconstrução Revolucionária. 


Cabe destacar que aqui já havíamos nos posicionando de prontidão quanto a questão da cisão, onde publicamos a Nota do Coletivo: “Sobre a crise no PCB” - e passamos a reivindicar a justeza da Reconstrução Revolucionária em nossas redes, site e comunidade. A divulgação e interesse em aderir ao partido seguiu constante até então. 



A reunião demorou a acontecer devido a ocupação dos camaradas, mas a mesma ocorreu dia 15 de Outubro, somente com a presença do camarada Godim, pois o camarada Landi tinha compromisso no dia. Primeiramente a reunião se deu como uma apresentação do Coletivo e sua estrutura organizativa por parte do camarada Douglas ao camarada Godim. Onde o mesmo fez alguns apontamentos e pedidos de esclarecimento sobre a atuação do Coletivo, concluindo com alguns repasses e possibilidades de junção num futuro próximo.


Desta reunião, foram tirados os encaminhamentos:

  • Elaboração duma carta de pedido de adesão formal ao CNP do PCB-RR;

  • Elaboração de uma tribuna de apresentação do coletivo para sair no Em Defesa do Comunismo (EDC).

OBS: Por questão de tempo e disponibilidade, resolvemos unificar os documentos em um único texto, dando lugar a atual carta. 


Nesse entremeio, tivemos problemas em relação à formação de uma cultura política alheia aos antigos princípios político-organizativos do Coletivo, que logo se elevará em crise organizativa e tentativa derrotada de fracionismo. Por conta disso, entramos num período de autocrítica para a superação dessa cultura política, apelidado também de Reconstrução Revolucionária que só vê margens para se concluir agora. 


Aqui, cabe mencionar que nas vésperas do Natal, com a publicação da Tribuna do ex-militante do Coletivo, Silco, “Golpe dos Dirigentes: Delegados Natos”, entrávamos num período de luta interna pela formação de uma ala minoritária apelidada como ala anti-partido, que era contra a adesão à Reconstrução Revolucionária, articulada por Silco. 


Assim, com uma estrutura mais avançada, superado os principais problemas da antiga cultura política e com a esmagadora derrota da ala-antipartido — derrotada não somente eleitoral, mas ideológica —, podemos se inclinar novamente a carta de adesão.


3 — A estrutura e funcionamento do coletivo



A estrutura em si pode ser analisada por meio do organograma acima, mas desenvolvemos um pouco mais sobre ela:


O Educação Revolucionária é um coletivo de Agitação e Propaganda e Formação Teórica. Nossa atuação começa nas redes sociais, um espaço de agitação, como o Instagram, X, Tik Tok, com o objetivo de atrair as pessoas para nosso site e Comunidade, onde fazemos o nosso trabalho de propaganda teórica e formação teórica. Este trabalho é feito para radicalizar as pessoas na consciência de classe revolucionária e no marxismo-leninismo. Por fim — pelo marxismo-leninismo se tratar de práxis — direcionamos sempre a organização no Partido. 


Porém, nossa atuação não se encerra na radicalização e organização de novos camaradas no Partido, mas busca também contribuir para sua formação teórica enquanto militante marxista-leninista. E futuramente, buscaremos desenvolver manuais de formação prática, públicos e gratuitos. Assim, fica evidente a precisão da definição máxima adotada: “Agitar, Propagandear, Radicalizar e Organizar”.


Possuímos uma divisão interna do trabalho e uma organização baseada no centralismo-democrático, sendo o coletivo composto por secretários(o Conselho) e pelas bases (as equipes de cada área). Possuímos uma secretária Política, de Finanças, Agitação e Propaganda e Organização como secretarias gerais para o funcionamento do coletivo. Em seguida vem as equipes encabeçadas por seus devidos secretários das Redes Sociais, do Site, da Comunidade e de Formação.  


Cada equipe é subdividida em tarefas constantes, particulares de cada uma, mas estas tarefas nunca estão dissociadas uma das outras. Entendemos a necessidade de interseccionar, isto é, convergir a agitação com a propaganda, a propaganda com a organização e formação. E assim direcionamos toda nossa estrutura para que sejam indissoluvelmente ligadas. Nas campanhas isto é visto com maior clareza, pois mesmo que se trate de um evento na Comunidade, a campanha é divulgada nas redes sociais, o site publica textos relacionados etc. Em suma, toda a estrutura de divisão do trabalho do Educação Revolucionária é feita de maneira centralizada e coordenada para que os trabalhos sejam feitos com o máximo de profissionalismo.


Vale destacar que também adotamos o sistema de secretarias-divididas, isto é, uma secretaria pode ser dividida por dois militantes, sem obrigatoriedade. Esta política surgiu a partir de um debate de meses sobre proletarização do Coletivo a partir de nosso Censo demográfico interno. Onde o mesmo tem a intenção de coletar os dados socioeconômicos de nossos quadros para que com isso possamos gerar políticas afirmativas dentro do coletivo em direção à proletarização como as cotas no recrutamento, por exemplo.


 A proletarização não se trata de apenas conseguir quadros proletarizados, mas de construir uma estrutura organizativa feita pelo e para o proletariado, atendendo às suas demandas de pouca disponibilidade (como muitos camaradas que trabalha na escala 6x1), de auxílio financeiro (ex. para o conserto de um celular utilizado nas tarefas do coletivo), de baixa formação teórica e prática e de inclusão (camaradagem) - sem, evidentemente, destrinchar no obreirismo, porém com o princípio de construir um Coletivo que não seja hegemonizado e fique a reboque de qualquer pequena-burguesia dita revolucionária. 


As reuniões gerais (com toda a militância) acontecem mensalmente, seguem metodologia, e temos uma ata própria do Coletivo que contempla as necessidades de reuniões feitas em espaços digitais. Assim, garantimos a maior democracia interna, não limitada a formalismos e a burocracias desnecessárias. 


4 — O Educação Revolucionária enquanto instrumento para a formação da Escola Nacional de Formação de Quadros do Partido


Conscientes da necessidade de construir o Partido, de ser Partido, passamos então a debater sobre o processo de incorporação do Coletivo na Reconstrução Revolucionária. Nossa ideia era de preparar algum acúmulo condizente com nossa visão coletiva sobre este processo para que fosse debatido no Congresso. Para isso, iniciamos um debate sobre as Pré-teses do Partido, de modo a encontrar nela uma base sólida da perspectiva do Partido para que pudéssemos trabalhar por cima, e esse trabalho nos levou ao desenvolvimento apresentado nesta carta. 


Em rigor, três teses encontradas nas Resoluções de Organização nos interessaram e impulsionam essa proposta, portanto, cai bem começar por sua exposição: 


“§32 Através da combinação de diferentes formas de agitação e de propaganda, os comunistas criam as condições para se apresentar como força social capaz de transformar radicalmente a sociedade burguesa. A profissionalização da comunicação com as massas trabalhadoras e a inserção orgânica no proletariado são indispensáveis para que as ideias comunistas e revolucionárias ganhem adesão dentro da classe trabalhadora e da sociedade como um todo. §33 Por exemplo, a existência de uma produtora de conteúdos audiovisuais e jornalísticos de alcance nacional é fundamental para atingir setores amplos da classe trabalhadora, mas esse alcance é infrutífero do ponto de vista revolucionário se não estiver associado a contatos a nível pessoal e à organização de células comunistas. - Resoluções de Organização” — Agitação e propaganda. [...] “§57 O Comitê Central deve organizar um Sistema Nacional de Formação Política, que organize em nível nacional a formação prática e teórica dos militantes, com vistas à construção de uma Escola Nacional de Formação de Quadros. No escopo desse sistema, será dever do Comitê Central e dos demais organismos dirigentes viabilizar aparelhos nos territórios para contribuir com a formação dos quadros. Manuais sobre os mais diversos aspectos da atividade prática e materiais de explicação teórica minuciosa de nossas resoluções congressuais também devem ser produzidos pelo Comitê Central, com a condição de não serem tomados de maneira formalista e dogmática.” — Sobre a formação de quadros.

Foi praticamente espontâneo a conclusão de que essas teses casam-se muito bem com nosso trabalho e estrutura. Como já foi dito, toda a estrutura do Educação Revolucionária é voltada a um trabalho de propaganda teórica e formação teórica, e por dotar de militantes de diversos estados e atuar no espaço digital, já se organiza a nível nacional. Nossos projetos são também os acúmulos para a formação da Escola, isto é, os seminários de formação (que já foram instrumentalizados em formações do Partido em Campinas) e podem ser utilizados em formações de campanhas, as leituras-coletivas como uma opção aos militantes e não-militantes de estudarem o marxismo conosco. 


Os artigos de introdução a formação, a própria sessão de formação com módulos para formação individual no site (que deve evoluir em módulos de formação prática também!) — inclusive, se tornaram acúmulos para o Partido, compartilhado pelo camarada Douglas para pensar o SNFP —, o projeto da biblioteca de PDFs públicos, a recente lançada Audioteca para a opção de áudio-leitura de artigos de formação etc. 


E isso não basta, se nossa atual estrutura condiz com os objetivos dessas teses, nosso horizonte de futuros projetos ainda mais: A expansão da sessão de formação para um eixo de “formação prática” com manuais como discurso e oratória, formulações de palavras de ordem e cânticos, agitprop de rua(colagem de lambes, cartazes e faixas, panfletagem etc); a ER TV que pretendemos lançar no Youtube como meio moderno e audiovisual para formação teórica, nossa Revista mensal de Formação Teórica, inspirada na antiga revista Problemas do Partido etc…


Internamente, nossa estrutura de formação dos quadros do Coletivo também avançou para um modelo que, se incorporado pelo Partido, só por isto nos faria repensar totalmente o SNFP. Isto porque organizamos as formações em várias modalidades: sejam os seminários internos, as leituras dos clássicos, a leitura dos manuais de formação prática para que o militante possa entender a totalidade de sua equipe, e portanto contribuir melhor. Mais especificamente, quando falamos de nosso sistema de formação e como ele pode ser incorporado pelo Partido, somente a parte de Formação Teórica já são um bom acúmulo, sendo dividida em três grandes eixos:


Eixo 1:

- Crítica da Economia Política e Materialismo Histórico-Dialético; 

- História do MCI; 

- Marxismo-Leninismo; 

- Internacionalismo; 

- Organização; 

- Agitação e Propaganda;


Eixo 2:

- História do Brasil; 

- Lutas de minorias; 

- Organizações da classe trabalhadora brasileira. 

(Aqui, por exemplo, debateremos a formação do PCB, ANL, do MST… e agora estamos organizando uma formação interna sobre o movimento Vida Além do Trabalho—VAT, justamente para unificar a Campanha com o Partido)


Eixo 3

- Formações para campanhas.

(Este último se trata de campanhas definidas para o momento, por exemplo, nossa última campanha onde foi organizada a formação, tratava-se da campanha do Dia Internacional da Mulher Trabalhadora 8M, onde os camaradas de todas as equipes foram preparados para a agitação e a propaganda da campanha. Está tarefa poderia ser facilmente repassada para a futura Escola, que organizaria a formação das Campanhas com materiais a serem utilizados por todas as secretarias de formação de todas as CLs ou OBs, eximindo o comitê central de se atentar a essa tarefa, tendo apenas que aprovar os materiais de formação)


Camaradas, são dois anos desenvolvendo, debatendo e construindo uma estrutura de formação de quadros e Agitprop, que agora pode se tornar o germe de algo maior para o próprio Partido. Entendemos que nosso lugar é dentro do Partido, afinal, são quase um ano de frustração tentando realizar esta adesão, e mesmo frustrados ainda somos Partidos, ainda estamos dispostos a construir o Partido. Acreditamos que podemos construí-lo, contribuindo na formação da Escola Nacional de Formação de Quadros, pois temos os acúmulos basilares para sua formação. Não é necessário submeter ao Comitê Central a tarefa de formar um novo Sistema Nacional de Formação, se esta tarefa pode ser feita pela futura Escola, após a incorporação do ER, sem deixar de ser assistida pelo CC eleito. 


Com o Educação Revolucionária, podemos dar um passo muito longo rumo à Escola, podemos terminar nosso Congresso com o início da formação desse organismo. Seria um pequeno passo para o Coletivo, que deixará sua forma para assumir a Escola, mas um grande avanço para a reconstrução Revolucionária, portanto no Movimento Comunista Brasileiro crítico e rigidamente marxista-leninista. 


Assim, propomos que o congresso delibere por priorizar a formação da Escola Nacional de Formação de Quadros, ignorando a reprodução de um Sistema Nacional de Formação Política ao estilo do antigo Partido. Reproduzir o mesmo sistema falho, não é autocrítica, é na realidade impedir a autocrítica. Precisamos ousar construir um novo sistema que debata novas formas de formação e desenvolva um conteúdo menos acadêmico, ou seja, que contemple até os mais novos do marxismo. A necessidade de partir do começo, e não com a premissa de que as pessoas devem chegar sabendo, que seja do Manifesto. E quanto à pouca disponibilidade dos camaradas proletarizados na leitura, que os ajude de fato a desenvolver o hábito de leitura e saber como conduzir sua formação. E com certeza nosso atual sistema de formação poderá contribuir nessa tarefa, pois afinal, o ER foi construído para isto. 


Ainda sobre a proletarização e formação, é preciso considerar que se queremos o partido de Proletários, devemos construir uma estrutura para eles, e isto também envolve a formação. O Coletivo sempre teve como princípio que não bastava empurrar páginas goela abaixo nos militantes, já que a maioria não carrega sequer o hábito de leitura. É preciso ajudá-los a desenvolver também o hábito de leitura até então negado pelo capitalismo. Somente um pequeno-burguês desavisado pode ignorar que a maioria do povo Brasileiro não possui o hábito de leitura. Sendo mais claro, são 77 milhões de não leitores, dos quais 21 milhões são analfabetos. Dos leitores,  somam 95 milhões, e leem em média apenas 1,3 livros por ano(levantamento do Instituto Pró-Livro).


Para finalizar, é importante demonstrar nosso profundo respeito ao centralismo democrático, e com isso, sabemos e defendemos que a Escola seja assistida e centralizada pelo  Comitê Central, e terá o papel de estabelecer o novo sistema nacional de formação, a ser aprovado pelo Comitê Central. Ainda é necessário estabelecer quem poderá compor o organismo, mas obviamente temos interesse em continuar dentro do espaço contribuindo com sua formação, seria inadmissível incorporar a estrutura do ER e não os militantes que compõem o organismo. 


Com todos esses pormenores a serem debatidos, propomos que sejam abertos Grupos de Discussões nas etapas congressuais de todo o país para debater o tema: “A formação da Escola Nacional de Formação de Quadros”, envolvendo o debate da incorporação do Coletivo nesse organismo. 


Convidamos os camaradas a pensarem que a própria incorporação do ER e a formação da Escola não é nada mais do que o germe para algo maior, pois, assim como passamos de um Projeto do camarada Douglas a um Coletivo Comunista, a formação da Escola não é nada mais do que um passo para que se torne um instrumento da construção do Poder Popular, isto é, Uma Escola Popular Nacional, de alunos conscientes do ensino fundamental e médio, assim como nossos companheiros do MST desenvolveram.


De projeto a Coletivo; de Escola de Formação de Quadros à Escola Popular; de escola popular a uma nova forma de educação socialista!


5 — Nosso compromisso com a Hegemonia Proletária e a construção de um partido Comunista e proletário


Fora disto por Marx e Engels, na Mensagem de março de 1850 ao Comitê Central da Liga dos Comunistas.


“Porém, eles próprios [os proletários] terão de realizar o principal para lograr a vitória final, mais precisamente, obtendo clareza sobre os interesses de sua classe, assumindo o mais depressa possível um posicionamento partidário autônomo, não se deixando demover em nenhum momento da organização independente do partido do proletariado pelo fraseado hipócrita dos pequeno-burgueses democráticos.” 

O etapismo ocupou lugar de destaque dentro do MCI desde o VII Congresso da Internacional Comunista, onde a linha da Frente Popular de Dimitrov foi vitoriosa, tornando o proletariado à reboque das demais classes a fim de construir uma unidade rebaixada das classes contra o fascismo. O Partido Comunista, que Marx e Engels no início do capítulo II do Manifesto Comunista colocam como o partido de classe do Proletariado, cujo os interesses em nada distinguem dos interesses do proletariado, passava a ser o partido da pequena-burguesia “revolucionária”. Que por não partir de uma base proletária não poderia compreender a importância do partido de classe do proletariado, traziam consigo seus desvios de classe.


A entrada massiva da pequena-burguesia no Partido Comunista, atraída pelo rebaixamento político do programa, fazia com que o Partido do Proletariado se tornasse um à reboque dos partidos da pequena-burguesia. Constituiu-se, a partir daí, o início da Hegemonia Pequeno-burguesa dentro dos Partidos Comunistas. Portanto, a superação do etapismo e do reboquismo, tema central durante o racha do PCB, não pode ocorrer senão com uma superação da Hegemonia Pequeno-Burguesa dentro do partido e no seu lugar construir a Hegemonia Proletária. 


A Hegemonia Proletária também tem que ser construída no partido, e para isso a estrutura interna do partido deve ser feita para agregar os quadros proletarizados. Pois o Partido Comunista é o Partido-de-classe do proletariado, e se esse Partido não possui uma estrutura capaz de tornar os quadros proletarizados em quadros destacados e que possam disputar a linha política do partido, esse não é o partido da classe e não pode levar a classe a sua emancipação, portanto não é nosso partido.


Entretanto, a partir do racha, a Reconstrução Revolucionária tem a potencialidade de se tornar esse Partido Comunista, o partido-da-classe, e caminha para superar essa Hegemonia Pequeno-burguesa preservada estruturalmente dentro de si como legado do antigo PCB. Seus acúmulos teóricos, práticos e políticos sobre a estrutura interna, sobre a polêmica pública e o convencimento político, a hegemonia proletária e independência de classe tornam a RR uma organização “candidata” a se tornar o Partido do Proletariado de fato. O profundo compromisso que o Educação Revolucionária tem com a superação dessa Hegemonia Pequeno-burguesa dentro do movimento comunista converge intrinsecamente com a Reconstrução Revolucionária.


O Coletivo trabalha, desde sua formação enquanto Coletivo, para possuir uma estrutura capaz de elevar os quadros proletarizados a quadros de dirigentes, para que esses quadros possuam formação e possibilidade para assumir tal compromisso. O ER possui organismos internos para a proletarização dos quadros e da estrutura em si, como o Censo Demográfico do Coletivo, onde colocamos como tarefa central o desenvolvimento do coletivo rumo à proletarização. 


Em toda tentativa de conciliação de classes e frente ampla, uma classe sempre ficou a reboque enquanto outra assumia a vanguarda, precisamos construir uma organização onde o proletariado seja a vanguarda. Porém sem impedir necessariamente a entrada de quadros da pequena-burguesia, mas entendendo que seu lugar é a reboque do proletariado — como dizia Marx —, e nunca ao contrário. E assim como o Coletivo se propõe a construir a Escola do partido, também temos o compromisso com o giro operário-popular.


6 — Preservação da Identidade, Mudanças na forma


Mesmo que estejamos de acordo que a forma do Coletivo deve mudar para se submeter ao Centralismo Democrático do Partido, gostaríamos de pedir ao Congresso que considere a preservação de nossa identidade visual como uma forma de preservar a própria história do Coletivo, e portanto da futura Escola (se de fato for esse o caminho). Sobretudo a  logo e o nome “Educação Revolucionária”, tão queridos e apreciados por nossos militantes. 


7 — Pedido formal de adesão ao partido


O nosso compromisso é com a Revolução Comunista em nosso País e no mundo, e com a construção do instrumento político capaz de levá-la a cabo. O Coletivo reconhece que é na Reconstrução Revolucionária do PCB que encontraremos esse instrumento em formação, e, por isso, buscará aderir oficialmente e tomar caminho da luta com o Partido. 


Assim, queremos formalmente realizar o pedido de adesão a Reconstrução Revolucionária, assumindo que estamos dispostos a respeitar as deliberações desse Congresso e aguardamos com anseio para iniciar o processo de incorporação do Coletivo, seja para formação da Escola Nacional de Formação Política, seja por outra forma mais orgânica. 


Saudações marxistas-leninistas,

Coletivo Educação Revolucionária.

27/03/2024

 

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